quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Preto Velho – primeiro contato

 Já estava feliz e animada desde a primeira manifestação mediúnica ocorrida recentemente, quando fui a uma gira de pretos-velhos. Fui atendida pelo mesmo médium daquela ocasião; após breve contato, pediu que o cambono colocasse outro banquinho ao lado do seu: “filha senta aqui, e fica pensando no pretinho velho”.  Enquanto me acomodava, ele chamou para o atendimento a pessoa da família que me acompanhava.

“Então, vamos pensar no pretinho velho, né? Mas… como é que se faz isso? e agora?” Ouvindo os pontos cantados, os atabaques, os meus próprios pensamentos, comecei a ver, na noite dos meus olhos fechados, a figura de um preto velho, com barba e cabelos brancos. “Uai, será que eu tô imaginando? será que isso é somente o que eu quero ver?” De repente, minha cabeça começou a se mover. Lentamente, para os lados, para cima, oscilando em volteios suaves. Estava meio excitada com aquilo, um tanto assustada, e queria saber o que mais iria acontecer. Minha respiração ficou irregular, e à vezes o ar me faltava. Sabia que poderia me opor aos movimentos assim que quisesse, mas não me opus àquele impulso suave e delicado que conduzia minha cabeça. Fixava minha atenção naquela figura, tentando buscar seus detalhes – e como às vezes ficava tudo tão nítido!

Finalmente, abri os olhos, e o médium me chamou. Disse que a entidade esteve “conversando” comigo, e que o início era assim mesmo. Recomendou que eu lesse, estudasse, mesmo que fosse em casa. Disse que o aprendizado na Casa não era muito diferente do que eu encontraria lendo (pelo menos os fundamentos teóricos, esclareceu, com sua linguagem), e que ganhar tempo era muito importante.

O misto de entusiasmo e alegria que eu senti é difícil descrever. Parecia ter ganho um presente – mas não um brinquedo, um doce, um carro, um abraço de alguém querido - era um presente sem forma nem tamanho definido, algo como passar no vestibular ou uma formatura: era uma chave, um ponto de partida para um mundo novo. Ah, que presente… e que responsabilidade!

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Origens da Umbanda – parte 2

Agora, retomando a questão “hora certa, lugar certo”, precisamos considerar o fator tempo: é hora de me preparar para a provável chuva de pedras e declarar que defendo a seguinte idéia: a Umbanda é uma religião brasileira.

Quanto a tratar-se de uma religião (e não uma seita ou crença, como querem alguns), segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda, religião “é um sistema de crenças e práticas relativas a coisas sagradas que unem em uma mesma comunidade (…) todos os que a ela aderem”. A partir dessa definição, pode-se afirmar que a Umbanda é uma religião.

Quanto a ser brasileira... sim, eu sei: sei que muitos discordam, que muitos afirmam que ela veio da África, que o fenômeno do sincretismo religioso foi fundamental em suas origens, que o culto aos elementos da natureza teve grande importância na estruturação da Umbanda, além de muitos outros argumentos que não ouso contestar. Entretanto, foi somente no Brasil que ocorreu o surpreendente amálgama de paradigmas e crenças que lhe deram origem – sem esquecer que, contribuindo para o surgimento de um sistema de fundamentos e práticas com características próprias, houve não apenas o enlace de elementos (devocionais, conceituais, litúrgicos...) cedidos pelo Catolicismo e pelas religiões africanas, mas também a participação de influências do Espiritismo (intercâmbio com entidades desencarnadas dentro da prática da caridade), de religiões orientais espiritualistas (conceitos de karma, reencarnação, evolução moral do espírito) e das práticas religiosas indígenas (as pajelanças, por exemplo, unindo o exercício do sacerdócio e a cura das enfermidades).

Assim, no meu modesto entendimento, a Umbanda – assim, com essa cara, essa identidade particular – surgiu foi aqui, num dos únicos lugares do mundo (senão o único), em que poderiam se somar tantas contribuições, tão ricas e distintas, trazidas pelos diferentes elementos constituintes do povo brasileiro e suas heranças. A julgar por esse prisma, não deixa de ser uma bela imagem para pensarmos em Universalismo, não é verdade?

Oportunamente, a parte 3 deste post fará algumas (humildes) considerações sobre a tese que afirma que o surgimento da Umbanda foi ainda mais antigo… muito mais antigo…

Saudações a todos!

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sábado, 28 de março de 2009

Origens da Umbanda - parte 1

A frase: “nada acontece por acaso” é muito utilizada por espiritualistas em geral – e por espíritas em particular. Acredito que possa ser muito bem complementada por esta outra: “as coisas só acontecem quando realmente devem acontecer”. Parece redundante, mas é uma frase reforçadora da idéia de que há uma organização do fatos, na linha do tempo, a demonstrar claramente a infinita sabedoria do nosso Criador. “Tudo tem sua hora e lugar” também é um princípio importante.

A primeira parte deste post fará considerações sobre “tempo”: assim, o surgimento do Espiritismo, no século XIX, deu-se num contexto de grandes modificações. A Revolução Industrial, o Positivismo de Comte, as influências do Iluminismo, a teoria da hereditariedade de Mendel, a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin e a possibilidade de investigação de fenômenos através de metodologia científica somam-se a tantas outras transformações do panorama social, econômico e cultural da Europa que criaram um cenário favorável à codificação do Espiritismo por Allan Kardec. Particularmente, acredito que seria impossível a estruturação da doutrina espírita sem que houvesse essa conjunção providencial de tantos fatores.

No Brasil, também no século XIX, a Umbanda encontrou solo previamente preparado para seu advento. A Proclamação da República (vejam só: a antiga Constituição do Império, de 1824, consignava o Catolicismo como “Religião do Império”), a Abolição da escravatura, a popularidade da doutrina e da prática do Espiritismo foram eventos próximos no tempo e em alguns de seus desdobramentos.

Após a promulgação da Lei Áurea, centenas de escravos se viram ainda mais desvalidos; expulsos das fazendas, ocuparam desordenadamente os sítios urbanos sem nenhuma política de inserção social – sem ter onde trabalhar, onde morar, como subsistir. Um enorme contingente humano, marginalizado, aglomerou-se nos subúrbios, nos embriões das favelas, nas sombras hostis dos cortiços e becos das cidades, juntamente com mestiços e brancos de condição desfavorecida. Nessas comunidades, a miséria moral instalou-se ao lado da miséria material: estava formado o ambiente propício para a disseminação de charlatanismos, feitiçarias, superstições e toda sorte de rituais distorcidos e dirigidos para trabalhos do mal, de prejuízo aos desafetos ou obtenção de bens materiais. Segundo Matta e Silva, “toda essa complexa mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas ... era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo Astral Superior, feito pelos espíritos que se apresentaram como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças”.

No Plano Astral, ou na Espiritualidade, como queiram, inúmeros espíritos que foram - em vida terrena - escravos, índios e mestiços almejavam manter intercâmbio com seus irmãos encarnados; a prática do bem, o tratamento dos enfermos, a transformação de sentimentos e pensamentos (aliviar os carentes, encorajar os excluídos, abrandar os endurecidos) eram aspirações que os impeliam ao serviço de caridade. Entretanto, essas entidades não encontravam acolhida ao desenvolvimento de seu trabalho: ou se deparavam com casas voltadas a práticas pouco recomendáveis, ou recebiam o estigma de “manifestações demoníacas” pelos irmãos católicos, ou então eram “convidadas” a se retirarem de centros espíritas: antigos escravagistas e seus descendentes se viam em situação desconfortável perante espíritos de negros e índios que foram por eles aprisionados, torturados (e até mortos) manifestando-se durante os trabalhos espirituais da religião codificada na França e trazida ao Brasil pelo segmento da sociedade brasileira que enriqueceu – direta ou indiretamente - às custas da exploração do trabalho desses irmãos. Orgulho, vaidade e remorso “torciam os bigodes” da nata da sociedade que compunha grande parte das mesas espíritas.

Foi nesse contexto que, em atividades mediúnicas sediadas em diversas localidades brasileiras, ocorreram várias manifestações de entidades espirituais anunciando a chegada de um movimento religioso renovador, trazendo um sopro de esperança, amor e fé. A entidade conhecida como Caboclo Curuguçu (ou Curugussu), da linha de Ogum, apresentou-se durante alguns anos, coordenando o trabalho de vários outros colaboradores espirituais que traziam a mesma mensagem. Alguns autores afirmam que o termo “Umbanda” já era citado em algumas dessas comunicações; outros, por sua vez, declaram que, além de anunciar a chegada da Umbanda, o Caboclo Curuguçu dizia ser emissário da raça vermelha “pura”, ou seja, que os caboclos que coordenam o movimento umbandista atual, na Espiritualidade, não são os indígenas da época da colonização ou seus remanescentes, mas espíritos muito evoluídos da antiga raça vermelha, que viveu nesta terra há milênios. Polêmicas à parte, o que provavelmente a Espiritualidade pretendia era preparar corações e mentes para o advento de uma nova forma de expressão da devoção e da fé.

Em 15 de novembro de 1908, um jovem chamado Zélio Fernandino de Moraes foi levado à Federação Espírita de Niterói; apresentando estranha enfermidade, que não cedera nem com cuidados médicos nem com exorcismos de sacerdotes católicos, achou-se finalmente conduzido àquele local. De repente, passou a comunicar-se verbalmente com os presentes, sem controle voluntário: estava sendo influenciado mediunicamente pela entidade que acabou por se denominar Caboclo das Sete Encruzilhadas. Questionando os participantes sobre por que motivo discriminavam espíritos de negros, índios e pobres que desejavam se manifestar, o Caboclo foi tratado com reservas e desconfiança; anunciou, então, que na noite seguinte seu “aparelho”, Zélio, iniciaria na própria residência o culto que acolheria qualquer entidade que quisesse “trabalhar”, sem restrições.

Eis que numerosos espíritos, trabalhadores pela caridade, finalmente encontravam condições de se manifestar e prestar atendimento a uma multidão de necessitados – enfermos, carentes, desesperados, pobres na matéria ou no espírito. Com o tempo, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a estabelecer orientações e diretrizes gerais para a organização do culto – fundamentação na prática da caridade, sem sacrifício de animais, sem nenhum tipo de remuneração. Entre outros preceitos, esses eram indispensáveis para distinguir a prática da Umbanda de ritos diversos, disseminados nos grandes centros, voltados à cobrança por “trabalhos” direcionados para interesses escusos, com matança de vários tipos de animais, com exercício tirânico dos “poderes” de supostos sacerdotes aliciadores de espíritos oriundos do Baixo Astral.

À “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade” (assim denominada pelo Caboclo porque, em suas palavras, assim como Maria acolheu em seus braços o Filho, assim a Tenda acolheria os que nas horas de aflição, a ela recorressem), seguiu-se a fundação, também determinada por orientação do Caboclo, de outras sete tendas: Tenda Nossa Senhora da Conceição, Tenda Nossa Senhora da Guia, Tenda Santa Bárbara, Tenda São Pedro, Tenda Oxalá, Tenda São Jorge e Tenda São Jerônimo, esta última em 1935.

A história de Zélio de Moraes é capítulo indispensável na história da Umbanda: merece ser contada à parte, o que será feito oportunamente.

Nas primeiras décadas do século XX, o país passou por transformações políticas e sociais que permearam a evolução da Umbanda, no início do seu processo de estruturação e reconhecimento como religião. O Tenentismo, a marcha da Coluna Prestes pelo Brasil, a Revolução de 1930, entre outros fatos, precederam a ascensão ao poder de Getúlio Vargas; seu modelo de governo propagou a idéia do nacionalismo e da integração nacional, do brasileiro como um povo forte e patriota como bandeiras para fortalecer o Estado. Muitos autores acreditam que a fundação da Federação Espírita de Umbanda, em 1939, e a realização do I Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, em 1941, foram movimentos coerentes com a intenção de dirigentes umbandistas de propagar a umbanda como religião brasileira, a integrar elementos das diferentes raças e culturas componentes do nosso povo. Alguns chegam a afirmar que a adoção de um caráter mais… “institucional” facilitaria a legitimação da Umbanda pelo poder público e acabaria com a repressão policial (que se estendia às práticas de Umbanda, Candomblé e a tudo o mais que não formasse a trinca Catolicismo, Protestantismo, Espiritismo - esses últimos vistos pela Igreja Católica com um olhar meio atravessado).

Com a intenção de dissociar ainda mais a Umbanda das práticas de feitiçaria, baixo espiritismo, magia negra etc, autoridades umbandistas tentaram se apropriar de um discurso mais enriquecido por contribuições filosóficas, científicas e identificadas com as doutrinas católica e espírita, destinando um segundo plano à natureza magística e à herança negra e indígena. Esse é o olhar de vários estudiosos que enxergam, nesse processo, uma espécie de “embranquecimento” da Umbanda para que pudesse sobreviver, poupar-se de discriminação e se disseminar como religião reconhecida, em detrimento da participação dos mais diversos elementos trazidos por outras raças.

Em 1947, surgiu o JORNAL DE UMBANDA que, durante mais de vinte anos, foi um órgão de divulgação doutrinária de grande valor. Zélio de Moraes ajudou a instalar federações umbandistas em São Paulo e Minas Gerais. Em 1944, vários umbandistas ilustres, incluindo vários militares, políticos, intelectuais e jornalistas, apresentaram ao então Presidente Getúlio Vargas um documento intitulado "O Culto da Umbanda em Face da Lei" e consegue daquela autoridade a descriminalização da Umbanda.

Atualmente, contamos com grande número de órgãos representativos da Umbanda no Brasil (e vários no exteror); alguns agregam casas de Candomblé e outros cultos de raiz africanista. Como exemplos, podemos citar:

  • INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira
  • CONUB - Conselho Nacional da Umbanda do Brasil
  • SOUESP - Superior Orgão de Umbanda do Estado de São Paulo
  • FUCESP - Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo
  • FBU - Federação Brasileira de Umbanda
  • UTUCB - União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil
  • PRIMADO DO BRASIL - Organização Federativa de Umbanda e Candomblé
  • FUB - Federação de Umbanda do Brasil
  • SOI - Superior Orgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro.
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    sábado, 7 de março de 2009

    Médium, eeeeeeeeeu?

    Foi numa gira de atendimento; lá estava eu, diante da entidade, recebendo meu passe, olhos fechados - pra me concentrar na importância do momento, né!? Ah, mal sabia eu como esse negócio de "concentração" é delicado...
    De repente, meu corpo começou a balançar de leve, pra frente e pra trás. Pensei que fosse o ritmo dos atabaques, que fosse minha pulsação cardíaca... que nada! Quando me dei conta de que estava recebendo a influência de uma entidade espiritual em meu corpo, pensei: xi!

    Médium, eeeeeeeu???

    Gente, nunca havia pensado nessa possibilidade, antes. Sou de família católica, frequentei uma denominação protestante na adolescência e estava toda satisfeita em ter me tornado espírita (mais ou menos) praticante - rsrs. Nunca havia pensado em exercer mediunidade, nem em tudo o mais que isso implica.

    Durante aqueles momentos, só me perguntava: "e agora, quequeu faço?". Em algumas frações de segundo, a sensação de perda de controle (do corpo, da consciência, não sei) aumentava: dava medo, e eu me retraía um pouco. Em outros, eu tentava perseguir ainda mais aquela sensação, soltava os braços, a cabeça, mas não acontecia nada diferente. Era bom, era angustiante, era intenso... era confuso. A respiração ficou irregular, eu me sentia aflita e queria que aquilo "virasse algo".

    O diagnóstico da entidade que me atendia foi: "a conexão aconteceu, mas você não permitiu a manifestação porque bloqueou". Aconselhou-me a ler sobre o assunto e a "deixar acontecer" (palavras minhas).

    Saí do abaçá meio passada, meio leve, meio eufórica, meio surpresa... e agora? Mal tinha começado a frequentar o Centro. Ser médium não me parecia uma realidade tão assustadora, mas era algo tão novo e inusitado que precisava assimilar melhor. Ainda estou assimilando...
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    quinta-feira, 7 de agosto de 2008

    Como funciona

    Bem, queria contar como se processa, em termos gerais, uma gira na Casa que freqüento.

    Antes da abertura das cortinas, algum dos trabalhadores da Casa lê um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo (ou outro texto pertinente) e faz algumas considerações. Instantes depois, um dos dirigentes pede licença a Zambi, a Pai Oxalá e conclama a vibração das Sete Linhas de Umbanda e do Cacique Pena Branca (entidade-chefe da Casa), dando por iniciados os trabalhos. As cortinas se abrem durante o ponto de abertura; nossa Casa usa atabaques. Em seguida, todos se levantam para a saudação a Exu; um dos trabalhadores procede à defumação. O cruzamento é seguido pela leitura de outro trecho do Evangelho, ou de alguma outra obra de envergadura espiritual semelhante. Todos voltam a se levantar para a prece, em que elevamos nossos pensamentos, enviamos vibrações em benefício dos necessitados e pedimos proteção e firmeza para nossos trabalhos.

    A seguir, acompanhamos um ponto cantado para saudar a entidade-chefe da Casa; os dirigentes vão recebendo suas entidades e, a partir deles, os demais médiuns passam a manifestá-las, também. Temos giras com caboclos, pretos velhos, baianos, exus e crianças; as giras de cura são com os caboclos ou com o povo do Oriente (nos trabalhos de cura); não temos giras “mistas”, com exceção das giras com as crianças (e que são poucas no ano), em que alguns pretos-velhos também prestam atendimento.

    Com todos os trabalhadores preparados, começa o atendimento aos consulentes; alguns dão passividade às suas próprias entidades. Quando todos já foram atendidos, segue-se a desincorporação (subida), para o término dos trabalhos; o fechamento das cortinas dá-se após a prece final e o ponto de encerramento.

    Como disse, é apenas um panorama beeeem geral sobre o atendimento; achei que os detalhes iam ficar enfadonhos e, por outro lado, a sensação de paz e bem-estar que a gente sente não dá pra descrever.

    E você, meu irmão/ irmã? Como são os trabalhos na sua Casa? Compartilhe com a gente! Saudações!

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    quarta-feira, 6 de agosto de 2008

    Meu pedaço do céu - 2

     
    Ah, a importância do sorriso...

    Certa vez, uma entidade espiritual me exortou a sorrir: "o sorriso também é uma caridade!"

    No Templo, todo mundo te recebe sorrindo; todos são corteses e te ajudam no que for possível. Durante os trabalhos, vira e mexe eu acabo chorando: a emoção bate durante os pontos cantados, e eu preciso respirar fundo pra voltar a serenar (e olha que eu não sou das mais histéricas... morro de vergonha nessas horas). A sensação de paz e conexão com as forças do Bem é muito intensa ... quando se canta o Hino da Umbanda, então... eu passo vergonha, mesmo! ainda bem que só é entoado em ocasiões específicas!

    As atividades todas são alicerçadas na caridade; as únicas coisas que se pedem à assistência são silêncio, prece, vibrações harmoniosas. Se contribuo materialmente, é por pura satisfação de fazê-lo - e faço com uma sensação de amor e gratidão que me fazem sentir ainda mais devedora das bênçãos que recebo.
    "Bênçãos? que bênçãos, Estela? o que você já recebeu? o que ganhou?" Ganhei paz; voltei a sentir gratidão; ganhei o exemplo do trabalho desprendido e desinteressado dos "filhos da Casa"; ganhei a sensação de estar mais próxima do nosso Pai Maior e de estar em melhor sintonia com a Espiritualidade; minha vida tem mais sentido; estou mais tolerante em casa; mais dedicada no trabalho... tenho sentido mais força e discernimento pra lutar contra os meus inúmeros defeitos... tô quase virando gente!

    Com tanta bênção, como não dizer que achei meu pedaço do céu aqui na terra?

    Que Pai Oxalá abençoe a todos os trabalhadores da Casa, na terra e no astral!

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    Meu pedaço do céu - 1

     
    Alguns dos amigos leitores já devem ter sentido coisas como as que vivenciei antes de me aproximar do vasto mundo da Umbanda. Como mencionei anteriormente, já senti medo, já senti uma superioridade prepotente e até certa aversão. Mas a vida tem dobrado meus joelhos diante de muitas dores, e hoje sinto muito mais respeito por coisas e pessoas (ainda longe do ideal, mas devagar se vai ao longe, né?).

    Desde a primeira vez que entrei na Casa que freqüento, senti uma tranqüilidade envolvente e marcante. Um lugar limpo e acolhedor (apesar de muito freqüentado), simples e com uma organização im-pe-cá-vel.

    Já na porta, trabalhadores recebem você com uma senha de papel e uma breve mensagem impressa, que ajuda a gente a "entrar no clima". Dúvidas? eles te esclarecem na maior calma.

    O recinto principal é um grande salão, basicamente dividido entre a assistência (nós, que vamos até lá para que uma entidade espiritual nos atenda) e o local de atendimento, o abaçá, com os médiuns reunidos e o altar ritualístico ao fundo. Separando-nos, cortinas brancas, cerradas até o início dos trabalhos. Abaçá, congá... são termos muito pertinentes desde já, mas acredito que este blog também poderá ser útil aos não-umbandistas e aos iniciantes (como eu); estou estudando como empregar termos "técnicos" de forma organizada.

    Pelo local, algumas imagens e retratos. Nada de sombrio, nada de lúgubre, nada que sugira um lugar "estranho", com coisas "ocultas" ou "exóticas". O atendimento é realizado chamando-se a assistência por um painel eletrônico. A organização é tanta que, na noite em que o painel não funcionou, já havia cartazes numerados - chique, né?

    Secretaria, biblioteca, salas e recintos próprios para determinadas atividades não entraram nesta apresentação: não tenho ainda tanta liberdade dentro da Casa, e são distribuições que devem ser comuns a outros lugares.

    Bom, feita a descrição em termos gerais, nas próximas postagens vou tentar esclarecer o título deste post...

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