domingo, 3 de maio de 2009

Livro: Técnica da Mediunidade

 

Técnica da Mediunidade

AUTOR: Carlos Torres Pastorino

ANO DE PUBLICAÇÃO: 1969?

EDITORA: ver nota abaixo

Este livro foi encontrado à disposição na internet, em duas fontes diferentes: o scribd, um serviço de compartilhamento de textos online, na íntegra , e no Portal do Espírito, site sem fins lucrativos que disponibiliza materiais de pesquisa e consulta sobre o Espiritismo. Tem muito material interessante lá! Se quiser fazer o download desta obra, dê preferência ao pessoal do Portal, e aproveite pra fazer uma contribuiçãozinha, porque a iniciativa é admirável, temos que incentivar (não é popaganda, não, é reconhecimento: não conheço a galera e não tenho nenhum interesse pecuniário em relação ao site).

AVALIAÇÃO: A vida de Carlos Juliano Torres Pastorino, por si só, já merece livro; algumas informações sobre o famoso autor de “Minutos de Sabedoria” estão disponíveis no próprio acervo do scribd.

Na presente obra, Pastorino discorre sobre as faculdades mediúnicas sob a luz de nossas ciências “formais”, como a Física e a Biologia. Assim, ao longo de todo o texto, vai nos lembrando de princípios científicos (como o conceito de onda eletromagnética) e estabelecendo paralelos no terreno mediúnico (no exemplo em questão, abordando o pensamento enquanto onda eletromagnética e a importância de sua elevação moral como forma de alterar-lhe o comprimento e o alcance).

A primorosa qualidade do texto revela os extensos conhecimentos do autor sobre as ciências acadêmicas, mas também sobre o terreno vasto, espinhoso e desafiador das doutrinas espiritualistas que se estruturam na mediunidade.

Em alguns momentos, é necessário um esforço adicional para manter a concentração (atire a primeira pedra quem nunca achou maçante estudar eletricidade, fisiologia ou coisa que o valha), mas o esforço é plenamente recompensado: não há meio de ler essa obra, sem concluir que os fenômenos mediúnicos não são nada “sobrenaturais”, misteriosos ou mágicos: são apenas belas manifestações das leis da Natureza.

Infelizmente, não encontrei a obra impressa para lhe prestar os devidos créditos autorais; se algum irmão tiver notícias nesse sentido, pode nos avisar. É obra de primeira qualidade, uma das minhas favoritas; o livro é de babar, mesmo!!

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Livro: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda

Esta seção pretende relacionar publicações interessantes sobre Umbanda – e Espiritismo, já que utilizamos muitas obras espíritas no cotidiano. Às vezes, chego a ter algumas ressalvas em relação a conteúdo, mas encontro muito material bacana. Boa leitura!

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O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda

AUTOR: Leal de Souza

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2008 (2ª edição)

EDITORA: Editora do Conhecimento

AVALIAÇÃO: Antônio Eliezer Leal de Souza foi jornalista, poeta, ensaísta, militar… e escreveu os primeiros livros sobre a Umbanda. O primeiro é de 1925: “No Mundo dos Espíritos” (ainda acho esse…). Em 1933, escreveu a primeira edição de “O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”. Tratava-se de um livro extremamente raro, até que, em 2008, foi editado pela segunda vez, por iniciativa altamente louvável da Editora do Conhecimento.

No início do século XX, imperava uma profusão de cultos e rituais estranhos e voltados ao baixo espiritismo. Era necessário esclarecer a opinião pública e as autoridades sobre a real natureza da doutrina umbandista, para evitar a discriminação de seus adeptos e até a prisão de seus dirigentes. Apesar de jornalista, Leal de Souza nunca usou de sua profissão para promover proselitismo religioso, passando a escrever sobre o assunto por iniciativa de jornais como o “Diário de Notícias” e “A Noite”, interessados na repercussão que o assunto tomava à época.

Assim, o livro é uma compilação desses artigos. São textos sintéticos, mas estruturados brilhantemente: acabamos vislumbrando um panorama das práticas espirituais da época, mediante um contraponto entre a Umbanda e as práticas de magia negra. O autor também discorre sobre a importância de Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas; as “sete linhas brancas”; os orixás, guias e protetores.

Vários outros temas, muito interessantes, estão nesse livro singelo, mas fundamental para quem quiser saber mais sobre a Umbanda, em suas raízes: Leal de Souza foi frequentador da Tenda Nossa Senhora da Piedade durante anos, e dela só se afastou para atender às instruções do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que o incumbiu de dirigir, pessoalmente, a Tenda Nossa Senhora da Conceição.

Para quem está acostumado com a linguagem mais ágil e informal da imprensa de hoje, ou até com o miguxês da Internet, a linguagem aqui é um tanto rebuscada, mas não chega a ser cansativa; é um livro “brejeiro”, com 139 páginas que aparentam ser menos; livro pra se ler de um fôlego só: curti muito, e pretendo reler!

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E, finalmente,… o começo!

Tive uma cabeleireira que saltou de para-quedas pela primeira vez com 61 ou 62 anos. Na época, achei pra lá de radical, mas não deu pra conversarmos muito sobre o assunto: a maluca estava mais interessada em me convidar pra uma trilha nos Andes (queria fazer trekking na Trilha Inca pela segunda vez. Juro que é verdade!). Então, não tenho muita certeza, mas pra saltar (skydiving) deve ser assim: você procura uma escola, esclarece suas dúvidas, passa por algumas avaliações, paga os valores combinados, tem aulas teóricas e práticas e, finalmente, tcha-tchaaaam! Lá está você, voando pelos céus…! Issaaaaa!

Bem, acho que o friozão na barriga que antecedeu meu primeiro trabalho de desenvolvimento deve ser meio parecido com o skydiving. Depois de definir meu novo horário de trabalho e passar meses esperado ansiosamente o início de uma nova turma, numa noite de quarta-feira, lá estava eu, de roupinha branca nova em folha. Antes de sair de casa, já tinha feito minha firmeza para o Anjo da Guarda e tomado um banho com o trio alecrim-arruda-guiné.

Até aí, a única diferença em relação ao vôo foi a ausência de cobrança de pagamento; a aula teórica abordou alguns aspectos da doutrina umbandista, com ênfase para a prática da Casa. Estava muito tensa para sentir qualquer vibração mais sutil da Espiritualidade, e no meio da aula a única dúvida que tive foi: “meu Deus, quequeutôfazendoaqui, meu Deus, quequeutôfazendoaqui?”. Pensei que essa paúra era natural (imagina num curso de vôo livre) e tentei relaxar.

Bom, aí acabou-se a aula teórica. Nossos Pais e Mães, os médiuns da corrente, colaboradores, curimbas e nós, iniciandos, tinhamos que subir. “Como, subir? No avião, quer dizer, no abaçá? Assim? Já? Não dá pra tomar uma aguinha primeiro?”. Dava, mas não precisava. “Não dá pra assistir aqui mesmo, hoje, e subir na próxima?”. Talvez desse, mas não ia fazer diferença: um  dia, a gente precisa subir no avião, não foi pra isso que buscamos o curso, uai?

Subimos entoando o ponto de abertura do trabalho, que transcorreu de forma muito semelhante às giras de atendimento a que estava acostumada. Após a incorporação dos Guias pelos dirigentes e trabalhadores da Casa, fomos orientados a formar um semi-círculo. “E agora? e agora?”. Entendi que era nosso momento de “dar passagem” às nossas entidades; pensei: “calma, você já tem recebido seus guias; relaxa, se concentra, ouve o ponto, sente a vibração, firma seus pensamentos, tudo vai dar certo…”. Mentalizei o caboclo que já havia recebido algumas vezes. Como sempre, foi tudo meio sutil – as imagens, as sensações, a subida. A mesma sensação de incerteza - “sou eu ou a entidade?”, a mesma dúvida na hora da subida - “é agora? acabou?” Sem saber direito o que fazer, fui retornando à formação original da corrente, e os trabalhos se encerraram como de costume. Nem cheguei a conversar com os guias da Casa: qual das minhas 4628 perguntas eu faria primeiro?

Voltei pra casa ainda sob a agradável vibração da minha entidade, mas muito perdida e confusa. Dormi meio chateada, apesar do acolhimento do pessoal aqui de casa; só melhorei de humor ao longo do dia seguinte.

Sim, a associação do desenvolvimento mediúnico com a preparação para vôo livre não é tão descabida – pelo menos pra mim. Em ambas as situações, a gente procura uma escola (e o meu coração mora nesta), em ambas passamos por avaliações (o scan de várias entidades foi espontâneo e unânime), em uma delas pagam-se os valores pertinentes (na outra não), em ambas nós recebemos aulas teóricas e passamos à prática. A partir desse ponto, creio que as semelhanças ainda possam continuar: a certeza de que tem muita pergunta sobrando, um leve e discreto pânico (e mãos suando, frio na barriga, boca seca, taquicardia, e coisinhas assim sutis, das quais a gente nem se envergonha, imagina…), um clímax rápido, um certo atordoamento quando tudo termina, a impressão de que a gente não captou a coisa direito… e – principamente - a vontade de fazer tudo de novo. Radicaaaal!!!!

Hoje, penso que eu não sabia, mesmo, é dizer do que exatamente eu estava precisando. Creio que poderia, perfeitamente, ter pedido toda a ajuda que quisesse, a qualquer momento e a qualquer pessoa. A sensação de holding familiar que temos lá é muito bacana, fortalece o grupo e  dá sentido ao esforço de cada um; o resultado só pode ser algo tão encantador quanto este outro trabalho em equipe:

Em tempo: como na primeira foto, a gente salta, sim, com um instrutor, tanto no skydiving quanto no desenvolvimento mediúnico e, nesse último, com o privilégio de termos mais de um deles por salto: nós é que podemos não vê-los ou senti-los tão bem no começo, mas sua presença e condução são indispensáveis para todo o processo (e pra sempre): salvem nossos Guias e Anjos da Guarda!

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera

Assisti a esse filme coreano duas vezes… na verdade, em ambas as ocasiões perdi o começo… rsrs. Foi na TV por assinatura, mas já encomendei o DVD. Apesar desta ótima sinopse num site especializado, posso adiantar que o filme se passa em um pequeno monastério flutuante sobre um lago, onde vivem um velho monge e seu jovem aprendiz. Enquanto o menino cresce, explora os arredores e deixa-se levar por seus impulsos. 

Porém, o mestre sempre está pronto para ensinar suas lições, e mostra para o garoto que as consequências de pequenos atos podem durar a vida toda. Cada estação do ano mencionada no título representa um lindo paralelo em relação ao desenvolvimento espiritual e emocional do jovem monge. Se a primavera caracteriza esse registro de infância, o verão apresenta a explosão da vitalidade e a descoberta da paixão. O outono nos mostra os frutos (nem sempre doces) dessa mesma paixão, e o inverno trata da vida após a colheita. Mas, como diria José de Alencar, “tudo passa sobre a terra”, e chega uma nova primavera para fechar o filme e renovar o ciclo da vida. É uma obra repleta de metáforas, belíssima, e que nos traz o conceito budista da “roda da vida”, a sucessão de experiências pelas quais precisamos passar, na existência terrena, para nossa ascensão espiritual.

O que esse filme tem a ver com meu desenvolvimento mediúnico?

Bem, já mencionei a incompatibilidade entre meus horários de trabalho e o horário dos trabalhos de desenvolvimento. Nunca pensei em desistir: apenas tentava resolver a questão profissional.

Enquanto isso, os meses se foram. Hoje, olho para trás e me pego recordando como foi essa passagem de tempo. A Casa nas noites de calor, as chuvas, os temporais… o vento frio das noites de inverno (e como o aconchego do abaçá parece diminuir o frio…). Frequentadores que começaram a aparecer, outros que sumiram, outros que levaram seus filhos pra batizar. As datas festivas. O recesso de fim de ano. O sistema de som que pifou. É mais ou menos como as sensações que experimentamos a cada vez que voltamos à casa da nossa família, depois que crescemos e ganhamos o mundão, um misto de carinho e nostalgia.

Em paralelo, também penso em como eu tenho me transformado. Como tenho me sentido feliz e em paz, um pouco (pouquinho) menos rabugenta, um pouquinho (pouquíssimo) mais paciente. Penso em como um dia, depois de uma faringite, resolvi ficar sem fumar enquanto pudesse aguentar, e isso já dura sete meses; também penso que, nesse mesmo dia, achei que era melhor deixar de comer carne. Na verdade, não resolvi nem achei coisa nenhuma: da forma como a coisa foi abrupta e definitiva (um dia, ainda conto minhas aventuras no mundo vegetariano e não-fumante), acho mesmo é que a Espiritualidade apertou algum botão, e entrei no modo “carne-off”, “cigarro-off”.

Não, não tô virando santa, não. Muito pelo contrário: sempre peço, em oração, pra resmungar menos, pra criar vergonha e cuidar melhor da saúde, pra me descabelar menos no trânsito, pra dar um jeito nesse orgulho pavoroso… O que quero dizer é que, mesmo com esses cacarecos, estou lutando pra melhorar, pra incomodar menos, pra pesar menos na contabilidade terrestre. Acho que, nesse processo, ter encontrado a Umbanda é um diferencial indiscutível, então é muito natural a sensação de “fim de semana na casa dos pais” a cada gira.

Tudo tem seu tempo certo; esperar pela oportunidade de iniciar meu desenvolvimento me trouxe a chance de estudar, de amadurecer… e também de me afeiçoar à Casa com um amor que só a casa da gente desperta.

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quinta-feira, 9 de abril de 2009

A (longa) espera até o desenvolvimento

Após o primeiro contato com meu preto-velho, os meses foram passando. O processo de desenvolvimento me havia sido franqueado, mas o dia da semana das sessões era incompatível com meu trabalho. Era difícil lidar com a grande vontade de estar no grupo e não poder… enquanto isso, comecei a ler. Vasculhei a internet atrás de material, mas sentia que o conhecimento teórico que adquiria não me bastava. Queria saber mais, aprender mais… e vivenciar mais, também.

Durante as giras de atendimento, algumas entidades começaram a permitir que eu “desse passagem”. Fechava os olhos, me concentrava…  - “concentrava em quê, Estela?”. Bem, eu tentava (ainda tento) perceber a imagem da entidade que se aproxima. O tronco começa a balançar para frente e para trás e, de repente, apenas “sinto” que devo me mover de determinadas formas, ou vejo a entidade fazê-lo. Já havia recebido instruções a respeito: “se a sua entidade indicar algo para você fazer, faça”. Os movimentos seguem até determindo ponto, depois não “percebo” mais nada e acabo abrindo os olhos. A sensação que fica geralmente é muito boa – mas dá sempre aquela impressão de querer mais. Não perco o controle sobre meus próprios movimentos; tudo é muuuito sutil e intuitivo. Bastaria querer, e sei que poderia voltar ao meu estado normal. Percebo que a alteração da consciência é qualitativa (o foco se estreita, os detalhes se desvanecem um pouco); do ponto de vista quantitativo, a consciência permanece dentro da normalidade: não me sinto sonolenta, nem torporosa, nem nada do tipo.  

Quando se fala a respeito de mediunidade, um dos enfoques mais frequentes diz respeito justamente ao do grau de participação do médium na qualidade da manifestação; muitas pessoas dizem que médiuns iniciantes costumam almejar um grau de inconsciência cada vez maior, seja para bucar legitimidade para o que está ocorrendo com eles, seja para vivenciar um contato mais intenso com a entidade espiritual que se apresenta. Ler sobre isso me ajudou entender melhor essa questão; não fico perseguindo um grau maior de inconsciência, mas tento relaxar (desafio e tanto, pra mim) e oferecer a menor resistência possível.

Mas, e agora? Vivenciar a incorporação das entidades espirituais em algumas giras de atendimento? E só? E tudo aquilo que eu quero saber? Perguntar pra quem? Acho que gira de atendimento não foi feita pra gente se “pendurar” nas entidades, e que a Espiritualidade deve saber o que precisamos – melhor até do que nós mesmos, já que estão a serviço de nosso Pai Maior. Para desenvolver faculdades mediúnicas, acho que a instância adequada é insubstituível; as inúmeras advertências para não oferecermos “passividade” fora do ambiente protegido é mais que uma prova disso. Não é por acaso que já fui orientada a me “controlar” mesmo que estivesse sentada na assistência; acabei entendendo o significado da frase: “não se concentre!”.

Então, a única alternativa que encontrei foi me preparar, dentro das condições possíveis – e com isso exercitar a fé e a paciência…

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O Preto Velho – primeiro contato

 Já estava feliz e animada desde a primeira manifestação mediúnica ocorrida recentemente, quando fui a uma gira de pretos-velhos. Fui atendida pelo mesmo médium daquela ocasião; após breve contato, pediu que o cambono colocasse outro banquinho ao lado do seu: “filha senta aqui, e fica pensando no pretinho velho”.  Enquanto me acomodava, ele chamou para o atendimento a pessoa da família que me acompanhava.

“Então, vamos pensar no pretinho velho, né? Mas… como é que se faz isso? e agora?” Ouvindo os pontos cantados, os atabaques, os meus próprios pensamentos, comecei a ver, na noite dos meus olhos fechados, a figura de um preto velho, com barba e cabelos brancos. “Uai, será que eu tô imaginando? será que isso é somente o que eu quero ver?” De repente, minha cabeça começou a se mover. Lentamente, para os lados, para cima, oscilando em volteios suaves. Estava meio excitada com aquilo, um tanto assustada, e queria saber o que mais iria acontecer. Minha respiração ficou irregular, e à vezes o ar me faltava. Sabia que poderia me opor aos movimentos assim que quisesse, mas não me opus àquele impulso suave e delicado que conduzia minha cabeça. Fixava minha atenção naquela figura, tentando buscar seus detalhes – e como às vezes ficava tudo tão nítido!

Finalmente, abri os olhos, e o médium me chamou. Disse que a entidade esteve “conversando” comigo, e que o início era assim mesmo. Recomendou que eu lesse, estudasse, mesmo que fosse em casa. Disse que o aprendizado na Casa não era muito diferente do que eu encontraria lendo (pelo menos os fundamentos teóricos, esclareceu, com sua linguagem), e que ganhar tempo era muito importante.

O misto de entusiasmo e alegria que eu senti é difícil descrever. Parecia ter ganho um presente – mas não um brinquedo, um doce, um carro, um abraço de alguém querido - era um presente sem forma nem tamanho definido, algo como passar no vestibular ou uma formatura: era uma chave, um ponto de partida para um mundo novo. Ah, que presente… e que responsabilidade!

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Origens da Umbanda – parte 2

Agora, retomando a questão “hora certa, lugar certo”, precisamos considerar o fator tempo: é hora de me preparar para a provável chuva de pedras e declarar que defendo a seguinte idéia: a Umbanda é uma religião brasileira.

Quanto a tratar-se de uma religião (e não uma seita ou crença, como querem alguns), segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda, religião “é um sistema de crenças e práticas relativas a coisas sagradas que unem em uma mesma comunidade (…) todos os que a ela aderem”. A partir dessa definição, pode-se afirmar que a Umbanda é uma religião.

Quanto a ser brasileira... sim, eu sei: sei que muitos discordam, que muitos afirmam que ela veio da África, que o fenômeno do sincretismo religioso foi fundamental em suas origens, que o culto aos elementos da natureza teve grande importância na estruturação da Umbanda, além de muitos outros argumentos que não ouso contestar. Entretanto, foi somente no Brasil que ocorreu o surpreendente amálgama de paradigmas e crenças que lhe deram origem – sem esquecer que, contribuindo para o surgimento de um sistema de fundamentos e práticas com características próprias, houve não apenas o enlace de elementos (devocionais, conceituais, litúrgicos...) cedidos pelo Catolicismo e pelas religiões africanas, mas também a participação de influências do Espiritismo (intercâmbio com entidades desencarnadas dentro da prática da caridade), de religiões orientais espiritualistas (conceitos de karma, reencarnação, evolução moral do espírito) e das práticas religiosas indígenas (as pajelanças, por exemplo, unindo o exercício do sacerdócio e a cura das enfermidades).

Assim, no meu modesto entendimento, a Umbanda – assim, com essa cara, essa identidade particular – surgiu foi aqui, num dos únicos lugares do mundo (senão o único), em que poderiam se somar tantas contribuições, tão ricas e distintas, trazidas pelos diferentes elementos constituintes do povo brasileiro e suas heranças. A julgar por esse prisma, não deixa de ser uma bela imagem para pensarmos em Universalismo, não é verdade?

Oportunamente, a parte 3 deste post fará algumas (humildes) considerações sobre a tese que afirma que o surgimento da Umbanda foi ainda mais antigo… muito mais antigo…

Saudações a todos!

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