quinta-feira, 22 de abril de 2010

Livro: Umbanda Pé no Chão

Umbanda Pé no Chão, um guia de estudos orientado pelo espírito Ramatís.

AUTOR: Norberto Peixoto.

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2008

EDITORA: Editora do Conhecimento.

AVALIAÇÃO: Adoro Ramatís, e tentarei evitar uma opinião tendenciosa sobre este livro. Na verdade, esta obra não foi exatamente psicografada, pelo que pude entender. O autor e seus companheiros de trabalho na Choupana do Caboclo Pery, em Porto Alegre, debateram diversos assuntos de interesse à doutrina umbandista, amparados por Ramatís (que tem em Pai Norberto um dos médiuns responsáveis pela psicografia de sua obra) e por outros Guias espirituais que amparam os trabalhos da Casa. A linguagem é bacana, e a gente acaba o livro querendo mais - na verdade, esse é o primeiro volume (ainda bem !).

Você (assim como eu) não sabe muito sobre Umbanda? Aqui está a oportunidade para ler um pouco sobre a origem da Umbanda, a ritualística, a dimensão mágica e seus elementos mais comuns (pontos, ervas, guias, fumo, álcool, etc), os orixás, o trabalho dos exus e uma interessante abordagem sobre o que é o trabalho de apometria.

Você, pelo contrário, sabe muito (?) sobre Umbanda? Eis um material que pode enriquecê-lo, tanto por aprofundar seus conhecimentos quanto por instigar a reflexão sobre questões sobre as quais tenha alguma divergência; não é por adorar Ramatís que eu possa negar o quanto ele é polêmico… Recomendo fortemente!

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Livro: Os orixás na Umbanda e no Candomblé

978-85-370-0412-8 - 2 Os Orixás na Umbanda e no Candomblé

AUTORES: Diamantino Fernandes Trindade, Ronaldo Antonio Linares e Wagner Veneziani Costa.

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2008

EDITORA: Madras.

AVALIAÇÃO: Aqui, o trio de autores faz uma breve introdução sobre a história de Zélio de Moraes e a estruturação histórica da Umbanda no Brasil, além de citar a origem dos orixás, de acordo com o entendimento do conhecido autor Rubens Saraceni.

A seguir, fala a respeito de dez orixás (Oxalá, Iansã, Cosme e Damião, Ogum, Oxossi, Iemanjá, Oxum, Xangô, Nanã e Obaluaiê). A abordagem, padronizada, oferece: a lenda africana sobre o orixá, o resumo histórico do santo católico com o qual foi sincretizado, aspectos do sincretismo religioso, características do orixá e seus respectivos atributos (elemento, cor, mineral, ervas, saudações, dia da semana, data comemorativa, instrumentos de culto, etc), características dos filhos, pontos riscados e cantados, comida de santo, animais consagrados e obrigações.

Quanto ao último tópico, destaco o detalhismo e o desprendimento dos autores ao divulgar suas práticas e experiências, mas não posso deixar de lembrar que existem mil particularidades em cada Casa – o que inclui a forma como as obrigações são realizadas. De qualquer forma, acho que vale a pena aprender sobre vivências ritualísticas diferentes – ainda mais quando relatadas por irmãos com tanta experiência.

Os autores também escreveram “Iniciação à Umbanda”, pela mesma Editora; escrevi sobre esse livro em outro post, aqui no blog.

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Livro: Iniciação à Umbanda

Iniciação à Umbanda

AUTORES: Diamantino Fernandes Trindade, Ronaldo Antonio Linares e Wagner Veneziani Costa.

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2008

EDITORA: Madras.

AVALIAÇÃO: Li esse livro há meses. Ao folheá-lo novamente, para editar este post, fiquei impressionada: em apenas 224 páginas, os autores conseguiram conjugar uma infinidade de assuntos de forma bastante fluida e objetiva. A leitura não é cansativa nem maçante, tampouco “embanana” a cabeça do leitor com sua infinidade de temas.

O livro nos conta como foi o primeiro encontro de Pai Ronaldo e Zélio de Moraes, em 1972. Também fala sobre as origens da Umbanda, os orixás, as entidades espirituais na Umbanda, a mediunidade, os aspectos ritualísticos, os sacramentos, preces diversas, etc, etc, etc, etc…. Tomo a liberdade de lembrar que existem elementos de ritual que são particulares a cada Casa umbandista, mas que é sempre instigante saber como são as coisas no “vizinho”, com todo respeito. É admirável a generosidade dos autores, que nos deixam material para estudo que certamente vai orientar os iniciantes e enriquecer os mais experientes.

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Livro: Das Macumbas à Umbanda

DAS MACUMBAS À UMBANDA, uma análise histórica da construção de uma religião brasileira

AUTOR: José Henrique Motta de Oliveira

ANO DE PUBLICAÇÃO: 2008

EDITORA: Editora do Conhecimento.

AVALIAÇÃO: O autor faz uma análise do momento histórico que abrigou o surgimento da Umbanda, contextualizando a busca, por parte dos “intelectuais umbandistas”, de legitimidade social para o movimento religioso. O processo ocorreu durante a estruturação da política nacionalista que caracterizou as primeiras décadas do século XX, notadamente durante as gestões de Getúlio Vargas. Para o autor, que cita numerosas fontes de pesquisa, houve uma tendência dos ideólogos da Umbanda de aproximá-la de tradições religiosas já reconhecidas – o espiritismo, além do catolicismo – e um afastamento, em paralelo, de elementos africanistas que pudessem induzir a associação da Umbanda com práticas de magia negra e  feitiçaria.

Dentro desse princípio, o autor ainda menciona o surgimento das primeiras discussões a respeito das origens ditas “esotéricas” da Umbanda; apesar do desagrado que possam causar a alguns, achei os argumentos bastante pertinentes. Tenho um irmão sociólogo e estou acostumada com essa forma meio… minuciosa e desapaixonada de discorrer sobre o objeto de estudo.

A tese é bastante interessante, e o grande número de fontes de pesquisa, embora possa cansar alguns leitores, agradou-me bastante e despertou grande curiosidade sobre o assunto: pretendo ler mais a respeito. Recomendo a leitura a todos os que desejam informações sobre o período de surgimento da Umbanda.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Umbanda e os anos 70

Hoje, tenho 40 anos; ao final dos anos 70, ainda era pequena. As lembranças, porém, são muitas: o que vestíamos, o que víamos na tv, as músicas de sucesso… Foi uma década meio kitsch, mas que imprimiu grandes mudanças na nossa cultura e na nossa sociedade.

Agora umbandista, resgato memórias daquela época que, embora gravadas até hoje, dormiam no sótão mental, num baú meio esquecido. Tentei juntar essas memórias com dados que encontrei em diversas fontes, para assinalar o intrigante destaque conferido à Umbanda nesse período; o fenômeno, que marcou os anos 70, merece um olhar mais atento: a cultura, em diferentes formas de manifestação, ofereceu terreno incomparável para a divulgação – e por que não dizer – para a assimilação da doutrina umbandista no Brasil. Um exemplo se encontra nos registros da Confederação Umbandista do Paraná, informando a criação de inúmeras tendas de Umbanda na região de Curitiba.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A porta

35770215_2f49a392f5 Dona Francisca (personagem fictícia) é dona de casa, casada, e tem três filhos. No último sábado, saiu de casa no final da tarde e foi ao terreiro de Umbanda. De vez em quando, vai até lá pra benzer a roupa de alguém da família, tratar daquela alergia na perna que volta a incomodar de vez em quando ou, quando o clima de casa fica pesado, desabafar sobre o marido que já não lhe dá tanta atenção, ou reclamar dos filhos adolescentes que estão muito rebeldes.

Já no terreiro, pega a senha que lhe deram na entrada, volta pra casa rapidinho pra terminar de cozinhar o feijão, dá uma espiada na novela e volta pro terreiro. Senta ao lado da vizinha, e põe-se a bater papo pra colocar as notícias em dia. Do outro lado, uma mocinha parece tensa e assustada; é a primeira vez que vai ao local. Dona Francisca lhe diz “pra não ter medo, não”, pergunta o que está acontecendo com a moça, explica mais ou menos como funciona o atendimento (“vê se passa com aquele de bigode, aquele é bem fortão”) e aproveita pra contar interminavelmente a história de sua vida.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Hora de trabalhar!

“Chegou a hora do filho trabalhar,

Defumar sua coroa, bater a cabeça no congá.

Peço licença à Babá, licença pro Babalaô

Oxalá, Epa-Babá, Caô-Cabecile, Pai Xangô…”

(ponto de defumação)

Bem, lá estava eu, participando da turma de desenvolvimento mediúnico. Assistia às aulas, tomava parte dos trabalhos de abertura, dava passividade às minhas Entidades espirituais e consultava os Guias da Casa pra aprender um pouco mais. Tudo tranquilo (dentro do que um médium pode chamar de tranquilo, né? cada um sabe das provações que experimenta).

Até que um dia…

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